O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), disse na tarde deste
sábado estar tranquilo em relação as denúncias de irregularidades
envolvendo a Controlar, empresa responsável pela inspeção veicular na
cidade.
Justiça determina bloqueio de bens de Kassab e nova licitação
Prefeitura diz que vai estudar recurso contra decisão do TJ
Promotoria pede afastamento de Kassab por irregularidades
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Promotoria pede afastamento de Kassab por irregularidades
Kassab falou a imprensa no autódromo de Interlagos, onde conferiu os
treinos para o Grande Prêmio da F-1. Inicialmente ele disse que só
responderia a perguntas sobre a prova ou a Expo Mundial, mas acabou
comentando o caso.
"É importante registrar como são as coisas. É pública a divergência
entre Ministério Público e prefeitura quanto a isso, e vale dizer que
não se trata de algo no campo moral. Entendemos que o contrato é
correto, e tenho certeza de que o Judiciário vai se pronunciar nesse
sentido", disse.
Nesta sexta-feira, a Justiça determinou que a prefeitura abra uma nova licitação para a escolha da empresa que será responsável pela inspeção.
A Promotoria havia pedido o afastamento
de Kassab, mas a 11ª Vara da Fazenda Pública decidiu manter o prefeito
do cargo, determinou a indisponibilidade de seus bens e de todos os
acusados.
"O Ministério Público apenas estava cumprindo o seu papel", afirmou o
prefeito no paddock do GP Brasil, enquanto os carros já estavam na pista
para o treino oficial.
Questionado se tinha algum receio de ser cassado, Kassab rebateu: "Não
tenho, estou muito tranquilo. Fazemos parte de uma administração séria.
Tudo vai ser devidamente esclarecido, porque é feito com absoluta
lisura. É uma das poucas prefeituras do Brasil assim".
Kassab disse ainda que não pretende contratar um advogado pessoal para
atuar no caso, além da Procuradoria do Munício. "Em princípio, não [vou
contratar]. Falei mais cedo com o secretário Claudio Lembo, que me
transmitiu a posição da Procuradoria".
Kassab também chamou a história de uma "farsa, que o tempo vai mostrar e o Judiciário vai dizer".
Ele não respondeu às perguntas sobre a realização de uma nova licitação, e disse que a "tarifa é outro problema".
AÇÃO
Segundo a ação do Ministério Público, a contratação da Controlar para
explorar a inspeção veicular utilizou um "pretexto humanístico da
preservação do meio ambiente e da vida", mas que só serviu para o
"enriquecimento ilícito" dos acionistas da empresa.
De acordo com os promotores, Kassab e o secretário do Meio Ambiente,
Eduardo Jorge, ressuscitaram em 2007 um contrato cheio de
irregularidades, desprezando pareceres do Tribunal de Contas e dos
técnicos do município.
Entre os motivos que pesavam contra essa decisão estava o tempo desde a
contratação da empresa (mais de dez anos) e sua condenação (em segunda
instância) por improbidade administrativa justamente nesse contrato. A
recomendação interna era que fosse realizado um novo processo de
licitação.
Nas 596 páginas da ação, os promotores enumeram uma série de
irregularidades na contração da empresa desde 1995, apontando falta de
"capacitação técnica, econômica e financeira".
"Se você perguntar o que está errado nesse contrato, eu lhe digo: tudo.
Está tudo errado. Esse contrato é uma fraude", disse o promotor Roberto
Antonio de Almeida Costa.
O valor cobrado (R$ 61,98) atualmente pelo serviço de inspeção veicular,
obrigatória em São Paulo, também é considerado alto demais pelo
Ministério Público.
Fonte: uol


09:34
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